
domingo, 8 de maio de 2067
Vagabundo...

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Sou um eviterno vagabundo,
Nesta vida consumida pelo medo…
Olho p`rá vida, vejo um tecto moribundo
Cheio de restos, de prisão e de degredo…
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Apalpo os dias, que me passam ao redor,
Com a vontade que me dá o velho tacto…
Provo premissas sem tempero e sem sabor,
Feitas de um rosto macilento e abstracto…
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Nado o percurso sinuoso, aos solavancos,
Nesses atalhos procriados nos invernos…
Passo barreiras, rodeadas por barrancos,
Pelas ombreiras lá dos quintos dos infernos…
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Fiz-me um ser errante, emaranhado,
Deambulando pela dita paz no mundo…
Sou fora daqui, sou de outro lado…
Sou um eviterno vagabundo…
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Galapito...

Mote
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Num ponto do infinito
Há um planeta azulado…
Enquanto gira de lado,
Visto de longe é bonito…
Diz-se aqui no Galapito
Que há lá um certo animal
Que se faz um maioral
E pensa que sabe tudo…
Como um grande cabeçudo
De aspecto Universal.
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Glosas
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I
Diz o povo aqui da Corte,
Do lugar aonde estou,
Que o ponto p`ra onde vou
É sítio de gente forte…
Vou entrar no Pólo Norte
Para ver se ali medito…
Um prazer que necessito
P`ra gelar o meu sentido,
E passar despercebido
Num ponto do infinito…
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II
É ali no pedregulho
Que aqui comparto e vejo…
Onde está um Alentejo
Que descansa sem barulho…
Há quem diga que é orgulho
E quem diga que é um fado,
Que se leva descansado
Nas guerrilhas desse mundo…
E vejo que lá ao fundo
Há um planeta azulado…
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III
Confesso, estou curioso
P`ra chegar ali depressa,
Onde dizem que a cabeça
Tem um dom meticuloso…
Viajando o céu viçoso
Avanço no céu estrelado,
Onde tudo é encantado
E onde tudo bate certo…
No azul que fica perto,
Enquanto gira de lado…
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IV
Quero ver a cor das serras
Nessas grandes altitudes,
E passar desertos rudes
Que apagam outras terras…
Também quero ver as guerras,
Para ver se eu acredito
No que a Corte me tem dito
E não quero acreditar…
Mas olhando esse lugar,
Visto de longe é bonito…
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V
Com a nave desengatada
Vejo algumas claridades…
Talvez sejam as cidades
Da parte mais abastada…
Noto a porção anilada
Durante o soar de um grito…
Que soa como um apito
E zune como um consolo
- Vamos ver esse bajolo…!
Diz-se aqui no Galapito…
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VI
A nave sorri em festa
Pelo azul dos oceanos…
Que exibem aos humanos
A frescura que lhes resta…
Dizem que à hora da sesta
Esse anil é divinal,
No austro de Portugal
Onde está uma cicatriz…
Toda a nave aponta e diz,
Que há lá um certo animal…
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VII
O Galapito avança mais
Para ver mais à vontade…
E reparo outra verdade
Destapada por sinais…
São fumaças colossais
Vindas lá do corpo astral…
Penso que algo está mal
Nesses tons que não se somem,
E que ficam mal ao Homem
Que se faz um maioral…
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VIII
Vejo a Lua olhar p´ra mim,
Como uma Deusa do céu…
Que sorri de corpo ao léu
E a benesse não tem fim…
É ditosa em ser assim
Com um ar sempre amorudo…
Enquanto me quedo mudo
Penso nessa criatura
Que é pomposa na figura
E pensa que sabe tudo…
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IX
Lá em baixo oiço trovões
Ou estouros das disputas…
Que são o maná das lutas
E o pesar dos corações…
Entre as muitas criações
De cariz grave e agudo,
Avisto o animal taludo
Entretido nessa esgrima…
Que diviso aqui de cima
Como um grande cabeçudo…
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X
Esvaiu-se o meu ensejo
E a querença que trazia…
Esse Homem dá-me azia
Alojada no meu pejo…
Já nem vou ao sul do Tejo
Ver o ente especial…
Desejando-lhe, por sinal,
Sorte para todo o ano…
Por ser um alentejano
De aspecto Universal…
Fala-me...

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Fala-me do tempo e das intrigas,
E dessas coisas que dizemos por falar…
Diz-me prosápias das modestas raparigas
Que fazem renda numa casa à beira-mar…
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Diz-me essa história proibida de dizer,
Arrecadada no cacifo dos segredos…
Conta-me um verso, daqueles que dão prazer,
Quando as vagas fazem rimas nos rochedos…
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Canta-me um fado, com a tua voz castiça,
Denunciando os infortúnios da miséria…
Fala do povo, do divino, e da justiça,
Com essa crença que a justeza faz etérea…
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Diz-me um olá… no meu ouvido encortiçado
Pelo silêncio das palavras mais esquivas…
Fala do conto que não foi sequer narrado
No nobre esboço do condão das narrativas…
Amigos...

Mote
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Os amigos que são leais
Dão a mão e dão guarida...
Mas poucos são esses tais
Que duram p´ra toda a vida...
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Glosas
-
I
Há amigos em todo o lado,
Quando o nome é trivial...
Como as letras de um jornal,
Quando estão do nosso lado...
Se o jornal é dispensado
As letras não prestam mais...
São a prazo os ideais
Na amizade mais banal...
O que deixa ficar mal
Os amigos que são leais...
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II
Esses têm outro valor,
Que se chama seriedade...
Há uma outra amizade
E um (A) que é bem maior...
São amigos sem favor,
Ou sem coisa pretendida...
Com a mão sempre estendida,
Ajudando os tais mendigos...
E por serem mais amigos,
Dão a mão e dão guarida...
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III
Há outro que é um perigo,
Com a capa muito sonsa...
Veste a pele que é da onça,
E se diz ser nosso amigo...
P´ra esses eu já nem ligo,
Os que tive foram demais...
São azares ocasionais
Deste tempo sem critério...
Que confunde o Homem sério,
Mas poucos são esses tais...
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IV
Como os grandes aliados,
São cultura que se lavra...
E não usa essa palavra
P´ra favores aconchegados...
Amigos não são forçados,
Nem alma que foi vendida...
Como amparo numa descida
E sinceros conselheiros...
São amigos verdadeiros
Que duram p´ra toda a vida...
Talvez um dia...

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Talvez um dia te faça um poema...!
Talvez um dia te conte um conto...!
Porém, as letras vestem de espanto
Todas as rimas do mesmo tema...
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Talvez um dia te faça um poema
Com as quatro letras da minha sina;
Cheio de graça, de sacarina
Vinda dos trechos de um nobre tema...
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Talvez um dia seja um soneto
Que te descreve como eu te vejo...
Falo de amores, de um terno beijo
E das palavras a branco e preto...
-
Talvez um dia...!
Atrás das pedras...

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Não quero correr mais atrás das pedras,
Que atiras junto à fronte do meu rosto…
Nem quero calar mais enquanto medras,
Com essas pedras que me atiras por imposto…
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Não quero vergar mais aos teus caprichos,
Sobranceados pela força do teu braço…
Nem quero ser mais um, de entre os bichos,
Para que as pedras vejam tudo quanto faço…
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Não quero correr mais atrás das pedras,
Direccionadas aos meus olhos racionais…
Nem quero ocultar mais o que me vedas,
Porque te digo que eu já não quero mais…
Anúncio...

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Sou um homem educado,
Fato limpo e aprumado,
Nestas minhas pretensões…
Procuro aqui uma mulher
Que tenha pouco saber
E que traga alguns tostões…
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Tem de ser gente encartada,
Trabalhosa e asseada,
Nas coisas d`agricultura…
Se tiver um bom tractor,
Digo que ainda é melhor
Para os dias de fartura…
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Convém que seja uma feia,
Com buracos na ideia
E vontade p`rá cozinha…
Que me faça bons petiscos,
E suture outros rabiscos
Com agulha e boa linha…
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Essas suas mãos de fada,
Prometem casa arrumada
E destreza no asseio…
Já vejo tudo a luzir,
Quando ela quiser ouvir
Os versos do meu paleio…
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Também quero ser adorado
No enxuto, no molhado,
Na luzerna e no fogão…
E, assim, a venturosa,
Será aquela que goza
Este anúncio de paixão…
Maria...

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Maria tens no brilho do teu olhar
Esta minha complicada situação…
Azucrinas com amor meu coração,
Quando andas pelo campo a serenar…
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Olho as curvas, que te tocam no caminho,
E os gestos revolvidos entre a palha…
Esperando toda a sorte que me calha,
Sou um demo com instantes de anjinho…
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Os instantes que me dão dor e enfarte,
Se te vejo a manobrar no lavadouro…
Por não ter o teu olhar, o teu namoro,
Sinto quase um badagaio em toda a parte…
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Porém, se a vida tiver tento e caridade,
Me dará o teu amor como uma prova…
Compro um monte e uma mobília nova,
Para te dar, além de amor, felicidade…
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Nessa hora, serei pai de uma família,
Que será a reverência do meu mando…
Prometo que vou falar, de vez em quando,
Sobre a vida e sobre os gastos da mobília…
Temporal...

Se esta chuva não parar
Durante esta madrugada,
Amanhã não faço nada
E tenho o feno p`ra ceifar.
-
Se esta chuva não parar
O terreno fica alagado,
Fica o gado sem pastar
Na pastagem do meu gado.
-
Se estou apoquentado
Durante esta madrugada,
Canto uma letra dum fado
Ou um cante à namorada.
-
Toda a chuva vem molhada
Prometendo a boa vida,
Amanhã não faço nada
Nem cuido da minha lida.
-
Talvez tome uma bebida
Enquanto a chuva durar,
Cai a chuva bem caída
E tenho o feno p´ra ceifar.
Serenata...

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A noite escuta o mote afeiçoado
Ao Céu que sobressai do varandim…
Um cante com um mote apaixonado,
No amor do Anastácio Joaquim…
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A Bela cede ao cante, à bela prosa,
Ouvindo os provençais no trovador…
Um Mago, um Dom Juan, um Rubirosa
Que inflama os altos versos do amor…
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Apruma a sua voz pela planície,
Num modo açucarado e tão sucinto…
E enquanto diz da vida uma chatice
Traduz a inspiração de um Borba tinto…
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O tom em Dó Maior, forte e conciso,
Aflora a rouquidão, que não lhe acode…
E diz: amor amor… nesse improviso,
Por entre as largas pontas do bigode…
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A Bela afaga o nardo, emocionada
Com a voz que se evapora no relento…
E entre uma janela escancarada
Recolhe aos cobertores do aposento…
Quadras Soltas...

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Todo o Ser é convidado
A rimar algo que é seu,
E a expor o resultado
Dos exemplos que aprendeu...
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Nos palpites que pressinto,
E que rimo de seguida,
Há um vasto labirinto
Que me faz pensar na vida...
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Poetando mundo afora;
Pelos estros d`outros mundos,
Rimo a paz de cada hora
Com a espécie dos Segundos...
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Um velho sábio dizia,
Num recital sempre novo:
Enquanto houver poesia
Há sempre um grito do povo...
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Este mundo parece ter
Uma estranha semelhança;
Destinada a fazer ver
O que o homem não alcança...
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Em cada história contada:
Tudo se conta e resume
À vantagem retirada
Do proveito e do ciúme...
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Quando o pensamento é reles,
E tortura a nossa voz;
Proferimos mal daqueles
Que proferem mal de nós...
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A verdade tem um cariz
E um génio concludente;
Quando sente, e nada diz,
Sabe o que a verdade sente...
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Oiço falar em progresso,
Aos que me falam de cor...
Mas depois de ouvir lhes peço
Que me falem mais de amor...
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O amor que queima e tece
As saudades repartidas...
É amor que não se esquece
Nem por duas ou três vidas...
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Se o Homem tivesse arte
Para ver o lado oposto,
Via paz em toda a parte
E lavava mais o rosto...
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Nas luzinhas da ribalta
Há um gozo que se nota;
Além de rirem da malta
Da malta fazem chacota...
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Todos nos falam de Deus,
Com sublimes teorias;
Rogam em nome dos Céus
Os seus favores e manias...
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Se além da vida há eterno,
E se Deus nos dá Sentença,
Imagino que o inferno
É maior do que se pensa...
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Deus nos dê o seu perdão
E qualquer coisa divina...
Porque as voltas que se dão
São sempre a mesma rotina...
Brados de um Ser...

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Sou filho de um berço...
Que é feito de palha, e cheira a verdura...
Sou fruto de um Maio...
Coberto de flores, chorando a censura...
Sou eterno gaiato...
Que brinca nos campos, a brincar com nada...
Sou força de um tempo...
Que um dia sorriu, e se fez alvorada...
Sou sonho que emerge...
Por entre o restolho, e se esvai no pousio...
Sou conto sem fadas...
Que avança no tempo, que não se contou...
Sou grito da alma...
Que brada no céu, e cai no vazio...
Sou poeta que avança...
Por entre o destino, sem saber quem sou...
(In Sesta Grande)
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