Sou um homem educado,
fato limpo e aprumado,
nestas minhas pretensões:
procuro aqui uma mulher ,
que tenha pouco saber
e que traga alguns tostões…
Tem de ser gente encartada,
trabalhosa e asseada,
nas coisas d`agricultura;
se tiver um bom tractor,
digo que ainda é melhor
para os dias de fartura…
Convém que seja uma feia,
com buracos na ideia
e vontade p`rá cozinha,
que me faça bons petiscos,
e suture outros rabiscos
com agulha e boa linha…
Essas suas mãos de fada
prometem casa arrumada
e destreza no asseio,
- já vejo tudo a luzir,
quando ela quiser ouvir
os versos do meu paleio…
Também quero ser adorado,
no enxuto, no molhado,
na luzerna e no fogão,
e assim a venturosa
será aquela que goza
este anúncio de paixão…
(2006)
António Prates - In Sesta Grande
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domingo, 8 de maio de 2067
Sabes tu...
Sabes tu, Senhor deífico,
mirabolante do magnífico,
magistrado deste mundo,
quantas vezes te contei
as passagens que passei
desde o alto até ao fundo…
Sabes tu, Deus eminente,
sobre-humano, omnipotente,
testemunho do que digo,
que no imo da canalha
não há só um deus que valha
às tenções de um falso amigo…
Fui arisco, escorraçado;
em silêncio segregado,
por engano ou artifício…
E nos versos da censura
fui julgado com fartura
pelos sores do santo ofício…
E sabes tu, Senhor da fé,
como essa gente é
e como há-de vir a ser…
António Prates - 2014
mirabolante do magnífico,
magistrado deste mundo,
quantas vezes te contei
as passagens que passei
desde o alto até ao fundo…
Sabes tu, Deus eminente,
sobre-humano, omnipotente,
testemunho do que digo,
que no imo da canalha
não há só um deus que valha
às tenções de um falso amigo…
Fui arisco, escorraçado;
em silêncio segregado,
por engano ou artifício…
E nos versos da censura
fui julgado com fartura
pelos sores do santo ofício…
E sabes tu, Senhor da fé,
como essa gente é
e como há-de vir a ser…
António Prates - 2014
Plantação Caligráfica
Desfarelo aqui dicções,
neste texto em contrapé,
pra plantar em dois talhões
os da boa e os da má-fé.
I
Ao abrir a minha mão,
saltam letras trepidantes,
as mesmas letras que antes
amanhei com o coração…
pula o Z, todo gingão,
com as suas zorações;
rima fome com cifrões,
mete alhos por bugalhos,
e aqui nestes trabalhos
desfarelo aqui dições…
II
Entretanto, o calmo H
junta dez letras, ou mais;
faz caretas às vogais,
cultivando o seu maná…
diz ser fã do que não há,
é um fã do que não é,
como um vento de maré
duvidosa e bailarina,
apregoa o que imagina,
neste texto em contrapé…
III
Encruzado, bem selecto,
diz-me o X, bem divertido,
quase junto ao meu ouvido,
novidades do alfabeto…
E, então, num tom secreto,
denuncia as inflexões
aplicadas nos chavões
inventados a preceito,
que me dão imenso jeito
pra plantar em dois talhões…
IV
Meto algumas consoantes
no alfobre da direita,
mas a esquerda não aceita
gatafunhos circundantes;
planto versos abundantes
com estâncias de banzé;
curto a letras, e até
meto água nas carreiras,
onde cabem nessas leiras
os da boa e os da má-fé.
António Prates
neste texto em contrapé,
pra plantar em dois talhões
os da boa e os da má-fé.
I
Ao abrir a minha mão,
saltam letras trepidantes,
as mesmas letras que antes
amanhei com o coração…
pula o Z, todo gingão,
com as suas zorações;
rima fome com cifrões,
mete alhos por bugalhos,
e aqui nestes trabalhos
desfarelo aqui dições…
II
Entretanto, o calmo H
junta dez letras, ou mais;
faz caretas às vogais,
cultivando o seu maná…
diz ser fã do que não há,
é um fã do que não é,
como um vento de maré
duvidosa e bailarina,
apregoa o que imagina,
neste texto em contrapé…
III
Encruzado, bem selecto,
diz-me o X, bem divertido,
quase junto ao meu ouvido,
novidades do alfabeto…
E, então, num tom secreto,
denuncia as inflexões
aplicadas nos chavões
inventados a preceito,
que me dão imenso jeito
pra plantar em dois talhões…
IV
Meto algumas consoantes
no alfobre da direita,
mas a esquerda não aceita
gatafunhos circundantes;
planto versos abundantes
com estâncias de banzé;
curto a letras, e até
meto água nas carreiras,
onde cabem nessas leiras
os da boa e os da má-fé.
António Prates
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